domingo, 19 de outubro de 2008

Longe das metas do Plano Nacional de Educação

Existem duas formas de apresentar o indicador de escolarização de uma população. Podemos apresentar a taxa de escolarização bruta, ou seja, a quantidade de alunos naquela faixa etária, sem levar em consideração a distorção idade-série. E podemos apresentar a taxa de escolarização líquida, ou seja, a quantidade de alunos que estão estudando na etapa correta de ensino, por exemplo, possuem 7 a 14 anos e estão no ensino fundamental.
A taxa de escolarização bruta mostra melhorias na faixa de 0 a 3 anos de idade (17,1%) e entre as crianças de 4 a 6 anos (77,6%), mantendo uma tendência de crescimento registrada nos últimos anos.
O Plano Nacional de Educação prevê que em 2006 já deveriam estar estudando 30% das crianças de 0 a 3 anos. Portanto, em 2007 continuávamos longe de cumprir esta meta. Por outro lado, conseguimos cumprir a meta de cobertura para crianças de 4 a 6 anos, que era de 60% até 2006. Em 2011 deveremos ter 50% e 80% de cobertura respectivamente.
Nas demais faixas, a PNAD 2007 registra uma estabilidade preocupante. Entre os que possuem 7 a 14 anos houve uma pequena queda (97,6%), o mesmo ocorreu com os jovens de 15 a 17 anos (82,1%) e nos de 18 a 24 anos (30,9%). Essa situação vem se repetindo desde 2000.
Entretanto, considero mais relevante trabalhar com a taxa de escolarização líquida, pois ela permite identificar mais claramente problemas de acesso e de qualidade no ensino. Senão vejamos:
A cobertura na educação infantil é de apenas 36,4%, o que representa uma queda em relação a 2006 (37,9%).
A cobertura líquida do ensino fundamental é de 94,6%, desmentindo a propalada universalização, pois aponta para 5,4% de crianças fora da escola ou retidas na educação infantil, quando a meta do PNE era universalizar o atendimento;
Apesar da escolarização bruta dos jovens de 15 a 17 anos ser de 82,1% apenas 48% estão no ensino médio, ou seja, a maioria está presa ainda no ensino fundamental. A meta do PNE era 50% de cobertura em 2006 e 100% em 2011;
Apesar de 30,9% dos jovens entre 18 e 24 anos estudarem, apenas 13% já conseguiu adentrar num curso superior. A meta estabelecida pelo PNE é de 30% de atendimento em 2011, o que dificilmente será atingido no ritmo atual de crescimento. No governo Lula a média de crescimento da oferta de vagas no ensino superior foi de 8,5% anuais. Caso mantenha esta média chegaremos a apenas 18% de cobertura em 2011, muito longe da meta.

Um comentário:

Pará disse...

Primeiramente PARABÉNS! pelo blog, faltava você neste espaco.
Segundo, deixe-me apresentar: como você também fiz parte do governo do companheiro Edmilson como dir. do depto.adm/financ do IPAMB com a Dra. Samdra Leite. Estou concluindo minha pós graduação "Ensino de História do Brasil" e escolhir como problemática "A Cabanagem no livro didático - Uma transposição pedagógica" nesta perspectiva, veja qual a possibilidade de você tecer algumas considerações analisando a temática da "Cabanagem" no espaço das salas de aula, sobretudo, em nossa região. Abraços Nelson Brito - nelson.nbrito@gmail.com
Obrigado