quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia dos Professores I: pouco para comemorar


Hoje é o nosso dia. O meu e de milhares de professores e professoras em todo o Brasil.
Será que temos muito para comemorar? Acho que não.
1º. A maioria das profissões que possuem a mesma formação recebe salário maior do que o pago ao professor brasileiro, seja ele da rede pública ou da rede privada;
2º. Depois de muita luta foi aprovado no Congresso Nacional a lei do piso salarial nacional para os profissionais do magistério. Foi um avanço, mas o valor de R$ 950,00 para professores com nível médio e que trabalham 40 horas semanais é muito baixo, mesmo nos estados que recebem complementação da União no Fundeb encontramos professores ganhando mais do que o valor do piso;
3º. Toda vez que é divulgada uma avaliação da aprendizagem dos alunos pelo MEC a imprensa, os governo e os pais procuram um culpado. Adivinhem quem sempre é escolhido para pagar o pato do péssimo desempenho da educação no Brasil?
4º. Quando os professores resolvem reivindicar seus direitos, na maioria das vezes são tratados como criminosos. Exemplo disso foi o tratamento absurdo dado pelo governo paraense na última greve da categoria: bombas de gás lacrimogênio e ataques as sindicato (veja foto de Álvaro Luis);
5º. Quando os bancos entram em crise logo os governos descobrem bilhões de reais (ou dólares) para salvá-los. Quando os educadores reivindicam mais recursos para a educação, o governo afirma que há recursos suficientes, mas ele é mal utilizado, que é preciso acabar com os privilégios, etc...
Apesar disso não me arrependo da escolha profissional que fiz. A recompensa vem ao encontrar ex-alunos que conseguiram progredir, que venceram as barreiras da exclusão e agradecem o pouco que conseguimos oferecer. Não é o suficiente, mas ajuda a continuar lutando por uma educação pública, de qualidade, para todos e em todos os níveis!

Um comentário:

Professor Alcyr Lima disse...

Arrependimento, vergonha, ou outros sentimentos do gênero não cabem em nossas vidas como professores. Quem tem que se arrepender são os que historicamente vêm atacando a educação pública brasileira tentando desqualificá-la para, enfim, privatizá-la. Quem tem que se envergonhar são os que com suas atitudes irresponsáveis multiplicam a ignorância em todos os seus modos, os que se utilizam de ideologias, dogmas, crendices para domar os outros, para anular o pensamento livre de cada ser humano. Temos que ser carcereiros insubordinados e provocar a fuga dos que estão presos nas masmorras do analfabetismo, do esquecimento intelectual, das sombras do individualismo. Não temos quase o que comemorar, mas não podemos abandonar o campo de batalha. Parabéns , professor.