sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O piso e o otimismo do ministro

Definitivamente o nosso Ministro da Educação é uma pessoa otimista. Não que não considere isso uma virtude a ser cultivada, principalmente se lembramos que o mundo anda tão cheio de esperanças. Porém, ao assumir uma função pública, devemos ser parcimoniosos nos nossos pronunciamentos para não vender falsas ilusões.
No dia de hoje o portal do MEC reproduz trechos de entrevista do ministro Haddad concedida a NBR TV. O assunto foi o piso salarial nacional para os profissionais do magistério.
Em determinado momento o ministro afirma o seguinte: “Imagine como vai ser mais fácil para o prefeito e o governador levar a juventude para o interior do estado, dando condições mínimas para um jovem casal de professores se estabelecerem dignamente no interior, promovendo o desenvolvimento local por meio da educação. Hoje, isso é possível.”
É óbvio que uma entrevista para a televisão sempre obriga a certa simplificação dos problemas e das soluções, mas analisando o trecho acima podemos levantar os seguintes questionamentos.
Existe de fato um problema de falta de professores em nosso país e esse problema certamente é mais grave nas localidades mais distantes. Porém, a falta de professores está concentrada em determinadas disciplinas do ensino médio e das séries finais do ensino fundamental, especialmente biologia, química, física, etc. Isso de deve aos seguintes fatos:
a)os cursos de formação para professores destas disciplinas estão concentrados no eixo sul/sudeste;
b) a maior parte das vagas continua sendo privada, diminuindo a possibilidade de acesso de muitos brasileiros;
O baixo salário pago ao professor continua sendo um elemento que inibe a juventude a fazer uma licenciatura ou pedagogia. Mas isso não autoriza ao ministro a afirmar que o pagamento de R$ 950,00 para uma jornada de 40 horas semanais seja suficiente para reverter essa situação.
Logicamente que o ministro já providenciou um casamento de uma professora jovem com outro professor também jovem, aumentando a renda da família. Mas isso não passa de uma forma de amenizar o que todos sabem: o valor do piso salarial ainda está muito aquém de um patamar que realmente valorize os educadores brasileiros.
É verdade que muitos prefeitos reclamam que não possuem recursos para pagar este valor. E é mais verdadeira a afirmação de que é impossível a concessão de um piso salarial digno para os professores (jovens, maduros ou em vias de se aposentar, nas capitais, nas cidades médias ou nos pequenos municípios) sem que ocorra uma redefinição do padrão de financiamento da educação básica, especialmente do papel da União.
Enquanto isso não acontece só nos resta dois caminhos: acreditar no otimismo ministerial ou lutar por melhores condições de trabalho para o magistério.

4 comentários:

APLB/Sertanea disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
APLB/Sertanea disse...

SAUDAÇÕES LUIZ ARAÚJO!

Em primeiro lugar,parabenizá-lo por este espaço,diga-se muito raro de se vê na internet, encontrei por acaso,depois de muita pesquisa, PARABÉNS!

Aproveito a oportunidade para saber se vc tem notícias sobre o valor no piso salarial profissional nacional dos professores, afinal, ele será atualização utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano ou pelo INPC?...o Ministro falou falou mas não definiu o valor.

Obrigado.

FABIO LEITE

Luiz Araújo disse...

Fábio,

Até agora o MEC não se manifestou sobre a correção do valor do piso. ainda não foi anunciado o custo-aluno do fundeb para 2009 também.
Não podemos esquecer que o MEC enviou para o Congresso Nacional uma proposta de alteração para o piso ser corrigido pelo INPC, mas que ainda não foi aprovada.

APLB/Sertanea disse...

Obrigado Luiz!

Ficarei atento!