quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Quem é o ministro da educação do governo Bolsonaro?


Fiquem tranquilos que o presente texto não é para dissecar o perfil do atual titular da pasta ou para falar de suas trapalhadas administrativas, linguísticas e os rompantes de comediante de péssimo gosto.
A pergunta diz respeito sobre onde realmente são decididas as políticas sociais no governo Bolsonaro e qual o poder que o senhor Weintraub possui.
No final do ano o referido senhor apresentou uma tentativa de balanço do trabalho feito em 2019 e apontou suas principais ações. Dentre outros assuntos falou do Fundeb (de forma bastante ligeira) e falou da educação infantil.
Sobre o Fundeb anunciou que enviará uma PEC, para zerar a tramitação da matéria e finalmente começou a revelar o que pode ser uma proposta de fundo por parte do governo. E anunciou que irá propor crescimento de 10% para 15% de participação da complementação da União.
Sobre a educação infantil anunciou 5000 cantos de leitura tendo por base tutores remunerados com bolsas e, dias depois, o responsável pela educação básica, disse que em 2020 o Proinfância seria a prioridade, mesmo que tenha sido esquecido em 2019, conforme já comentei nesse espaço anteriormente.
Bem, já era bastante insuficiente o prometido, mas nos primeiros dias de janeiro, em duas oportunidades, o ministro da economia anunciou medidas que impactam diretamente o Fundeb e mexem com a política para a educação infantil.
Um dia deixou vazar para a imprensa, pela enésima vez, que pretende, assim que tiver clima favorável, propor a completa desvinculação de recursos para educação e saúde, aprofundando o que a Emenda 95 já está fazendo. Caso tal desatino seja aprovado pelo Congresso Nacional, o FUNDEB perde sua existência, posto que o seu pressuposto é fazer uma subvinculação dentro dos recursos já vinculados.
E, essa semana, tentando vender a imagem de que o Brasil é uma terra de oportunidades para investimentos internacionais, o Paulo Guedes anunciou que vão governo pretende realizar um gigantesco (palavras dele) programa de vouchers para a educação infantil.
A primeira ideia é um sonho de consumo de muitos governantes, insatisfeitos com existência de obrigação de mínimo de aplicação na educação e saúde, ansiosos em gastar em coisas mais rentáveis eleitoralmente. Um exercício de aprofundamento do desmonte do esqueleto de proteção social construído em 1988 por nossos constituintes. Seria de todo desastroso, diminuindo recursos em áreas em que milhões ainda possuem seu direito constitucional negado todos os dias.
A segunda ideia, implementada em larga escala no governo Pinochet, significa abrir para a iniciativa privada vasto campo de negócios, fazendo brilhar os olhos dos patrões de sua irmã e daqueles que ela representa na área privada do ensino. Ao invés de prestar diretamente o serviço, as famílias usariam recursos para comprar vagas em escolas privadas. Como o recurso disponível não cresceria, se geraria milhares de escolas privadas de baixa qualidade, destinadas a atender os mais pobres, com os mesmos recursos que eram anteriormente usados na rede pública.
Quem realmente manda na área educacional? Ao que tudo indica, cada um dos dois senhores está preocupado em aproveitar a estadia nos postos que ocupam para estreitar laços obscuros com setores privados, preparando um futuro tranquilo para os seus...
Mas, como o presidente sempre afirma que nada sabe de economia e Paulo Guedes é o avalista junto ao mercado, certamente Weintraub irá continuar ocupado em fingir que administra o MEC, financiar meia dúzia de escolas militarizadas e se ocupar na cruzada ideológica que tanto agrada o seu chefe.


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