quinta-feira, 14 de julho de 2016

Medidas impopulares

O presidente ilegítimo Michel Temer afirmou em reunião com o setor do agronegócio, durante Global Agribusiness Fórum 2016, em São Paulo, que “em determinado momento” vai tomar medidas impopulares. Tal postura será tomada logo após a finalização do processo de impeachment no Senado Federal
O adjetivo “popular”, segundo o dicionário, quer dizer “que pertence ao povo; que concerne ao povo”, mas também quer dizer “plebeu; homem do povo”.
O substantivo “povo” tanto pode ser usado para designar o “conjunto de homens que vivem em sociedade”, como o “conjunto de pessoas que pertencem à classe mais pobre, à classe operária ou à classe dos não-proprietários”, ou seja, a plebe.
Entender o sentido das palavras é fundamental para refletir sobre o aviuso feito pelo senhor Temer. Em duas reuniões com segmentos empresariais que apoiaram o processo de golpe institucional, o interino avisou que medidas amargas precisarão ser tomadas em breve e que precisará de todo apoio possível para enfrentar as prováveis reações contrárias.
O termo “medidas impopulares” foi usado de forma bastante apropriada. O conjunto de medidas que já tramitam no Congresso e que já foram anunciadas pela equipe econômica (dos sonhos do setor financeiro nacional e internacional) atingem diretamente os interesses e a vida de parte do povo brasileiro. Representam um ataque aos direitos sociais, os quais são essenciais para os que vivem do trabalho e para os que ainda estão na fila querendo viver do seu trabalho (os que estão na extrema pobreza, na pobreza, no desemprego, no mercado informal precário, nas áreas de incidência de trabalho análogo ao trabalho escravo). A lista, mesmo antes de se completar o ciclo do impeachment, já é bastante grande:
1.       Proposta de Teto para os gastos públicos, o qual revoga as vinculações constitucionais para saúde e educação, comprime o gasto com as áreas sociais e viabiliza um redirecionamento para o capital de bilhões de reais por ano.
2.       A Proposta de renegociação da dívida dos estados, que garante migração de recursos destes entes federados para os credores da dívida pública em troca de arrocho salarial, fim de concursos públicos, privatizações do que ainda resta de empresas públicas estaduais, dentre outras maldades.
3.       Proposta de reforma da previdência, aumentando a idade mínima de aposentadoria, acabando com a diferença de idade entre homens e mulheres.
4.       Proposta de aceleração da terceirização dos serviços, precarizando as relações de trabalho e garantindo maior competitividade (eufemismo para elevação da taxa de lucros do empresariado).
5.       Proposta de flexibilização da legislação trabalhista, enfraquecendo os sindicatos nas negociações e favorecendo a diminuição do custo Brasil (eufemismo que significa reduzir o custo do empresariado com salários de trabalhadores).
Ontem foi a eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados. Ouvi dizer que parte da antiga base de Dilma ensaiou votar em Rodrigo Maia (DEM) no primeiro turno e acabou apoiando o mesmo no segundo turno para derrotar o candidato assumidamente ligado ao Eduardo Cunha. Assisti a primeira entrevista do novo (difícil usar esta expressão para o herdeiro político do resquício do partido da Ditadura Militar e do clã Maia, que está envolvido em todos os escândalos de corrupção da Nova República para cá) e ele listou as três prioridades para votação na Câmara: PEC do Teto de Gastos, Renegociação da dívida dos estados e reforma da previdência. Tudo isso em consonância com os “interesses do governo e do país”.
Enquanto todas as atenções continuam voltadas para as crises políticas (fechamento do processo de impeachment no Senado, morosidade do Judiciário com as denúncias contra a cúpula do PMDB e a dificuldade para cassar e prender Eduardo Cunha), os “interesses do governo e do país”, leia-se os interesses dos credores da dívida e do grande empresariado, vão sendo aprovados com grande facilidade, com os votos do núcleo que lançou Rodrigo Maia e com o chamado Centrão que votou no Rosso.

Certamente no dia de ontem a esquerda perdeu uma oportunidade de se apresentar como uma alternativa de oposição ao avanço conservador, para além do espantalho do Eduardo Cunha.

Um comentário:

Karl Marx Jr. disse...

Na última reunião com representantes da cúpula empresarial do Brasil, um dos empresários disse a Temer (temido), que precisamos modernizar... E disparou dizendo que no Brasil a jornada semanal deveria saltar das atuais 44 horas, para, pasmem, 80 horas semanais.Imagino, que tal jornada seria remunerada com o mesmo salário de fome atual de 800 reais, fala sério. ele comparou com a Europa, disse que lá se trabalha essa jornada. O detalhe, é que na França pode-se até trabalhar esse "holocausto" de horas, mas, por lá o salário mínimo é sabe-se lá quantas vezes maior que o dos desafortunados e abandonados trabalhadores brasileiros. O pior de tudo é que nossos sindicatos parecem que estão no paraíso...