terça-feira, 12 de maio de 2009

Undime tem novo presidente

Na semana passada a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação realizou o seu 12] Fórum Nacional na cidade de Curitiba (PR). Na ocasião foi eleita a nova diretoria nacional encabeçada pelo secretário de educação da cidade de Castro (PR), professor Carlos Eduardo Sanches.
Reproduzo a primeira entrevista dele, concedida para o jornal Gazeta do Povo.

Educação só melhora com cooperação

Entrevista com Carlos Eduardo Sanches, presidente da Undime


É do Paraná o primeiro presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Em sua segunda gestão na Secretaria de Educação de Castro, Carlos Eduardo Sanches, 39 anos, foi eleito na quarta-feira (6) durante o 12º Fórum Nacional da Undime, que termina nesta quinta-feira, em Curitiba. A eleição ocorreu após a apresentação de chapa única. O vice-presidente eleito é o secretário municipal de São Luís, no Maranhão, Moacir Feitosa.
Jornalista e ex-professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Sanches ficou à frente da regional paranaense nos últimos dois anos, cargo entregue em março de 2009. Durante o período, a instituição foi destaque nas discussões da implantação do ensino fundamental de 9 anos no Paraná e teve papel fundamental para que o Conselho Estadual de Educação voltasse atrás na decisão de implantar ensino de 9 anos no estado em 2007. “A legislação previa a possibilidade de implantação em 2010. A questão não era apenas mudar a placa do pré 3 para o 1º ano. A gente precisava principalmente discutir propostas pedagógicas em escolas e diretrizes curriculares”, lembra.
Nos próximos dois anos na gestão da Undime nacional, o novo presidente pretende atuar para aproximar municípios, estados e União. A entidade tem o papel de articular políticas públicas educacionais entre os municípios e demais esferas do poder público, além de auxiliar os secretários de educação no planejamento de suas gestões. Na opinião de Sanches “a melhoria na qualidade da educação não vai avançar se não houver um regime de colaboração entre estados, municípios e União”. O presidente da Undime falou ontem à Gazeta do Povo. Veja os principais trechos da entrevista.

Como o regime de colaboração pode ser feito?

Os resultados das avaliações que medem a qualidade na educação já demonstraram que a gente precisa melhorar muito a gestão, investir na formação de professores e garantir uma política de carreira para esses professores. Precisamos investir também em novas tecnologias para conseguir vencer um dos maiores desafios da educação. O aluno é do século 21 e o professor, do século 19. A criança chega hoje à escola aos 6 anos de idade com uma maturidade e um conhecimento muito vasto. Muitas vezes a escola não está preparada para atender essa demanda. Temos que mudar o que as pesquisas demonstram, que as crianças deixam a 4ª série sabendo apenas 49% do que aprenderam. Se a gente fizer isso, a gente melhora o Ideb e se melhorarmos o Ideb, garantimos o direito de a criança aprender mais.

Ainda são 43 municípios, de acordo com o Censo da Educação 2008, do Ministério da Educação, que não fizeram a mudança para o ensino de 9 anos. O prazo acaba no ano que vem. Alguns reclamam que não têm condições financeiras. No que a Undime pode auxiliar esses municípios a buscar recursos?

Aproximar o município do governo federal. Uma das preocupações nesse momento é ver o que esses municípios precisam da Undime a fim de que possa ser feita essa intermediação, para que se implante o ensino de 9 anos. Tem até o ano que vem para isso ocorrer e seria muito ruim que não tenham discussões sobre propostas pedagógicas. Não se pode implantar o ensino de 9 anos de qualquer maneira.

Qual a posição dos municípios sobre o projeto que tramita no Congresso que prevê a obrigatoriedade do ensino de 4 a 17 anos?

Essa proposta está junto com o fim da Desvinculação da Receita da União (DRU). Se os municípios terão de garantir o acesso de crianças com 4 e 5 anos nas escolas então precisamos aumentar o bolo de recursos para financiar essas matrículas. Essas matrículas não podem ser feitas sem que tenha aumento de recursos. Porque serão necessários mais professores, mais salas de aula, entre outras coisas.

A aprovação do fim da DRU garante esses recursos?

O fim da DRU está vinculado à obrigatoriedade de matrículas de 4 a 17 anos. O que precisamos é fazer com que esses recursos sejam carreados para garantir as matrículas dessas crianças. Precisamos de mais recursos para o transporte escolar, isso é muito sério. Também de mais recursos para a formação de professores.

Tramita no Senado um projeto lei sobre a federalização da gestão escolar, que vai contra todo esse movimento de municipalização que vem ocorrendo desde os anos 90. Você concorda com essa proposta?

Um projeto como esse não corresponde à realidade de articulação da educação nesse momento. Não é no toque de caixa que vamos melhorar a qualidade da educação. A gente não pode tirar o direito do município de articular a política educacional. É um avanço e uma conquista. Federalizar a educação pode ser um equívoco muito grande.

Com relação ao transporte escolar, no Paraná muitos municípios estão fechando escolas rurais e criando núcleos para agregar mais estudantes. Não haverá mais gastos com o transporte?

A nuclearização das escolas rurais é um equívoco e consequência de talvez uma política pouco planejada da municipalização das escolas. A gente tem procurado orientar os municípios que não cometam esse equívoco. O transporte escolar deve facilitar a ida do aluno até a escola mais próxima de sua casa, mas a escola perto de casa tem de estar garantida. Outro pensamento que culminou no fechamento das escolas rurais foi a intenção de acabar com salas multisseriadas. Muitas pesquisas demonstram que em salas multisseriadas é possível ter um bom desempenho, o que é preciso é preparar o bom professor. Se não preparar o professor não dá certo em nenhum lugar.

3 comentários:

Anônimo disse...

Luiz, como você, também, tive a oportunidade inigualável de ser dirigente municipal de educação. A experiência foi importante a ponto de definir a educação municipal como meu objeto de estudo no mestrado, doutorado e, agora, em grupo de pesquisa na Universidade Federal do Tocantins. Assim, estou aberta a discussões.
Saudações

Rosilene Lagares disse...

Luiz, como você, também, tive a oportunidade inigualável de ser dirigente municipal de educação. A experiência foi importante a ponto de definir a educação municipal como meu objeto de estudo no mestrado, doutorado e, agora, em grupo de pesquisa na Universidade Federal do Tocantins. Assim, estou aberta a discussões.
Saudações

Josélia Coringa disse...

Sou leitora assídua do seu blog. gosto das suas colocações. Tive também a oportunidade de ser secretária de educação por um tempo muito remoto, ano de 2008...nossa! que grande aprendizado! numa cidade minúscula do interior do Rio Grande do Norte. " A educação é o caminho, mas jamais será prioridade para os que dominam ".
Sou professora de lingua portuguesa do estado e municipio, corro o dia todo para ganhar um salário melhorzinho. Que país é esse???????????